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ToggleO Ibovespa encerra 2025 em clima de euforia: o principal índice da Bolsa brasileira superou os 164 mil pontos pela primeira vez, impulsionado pelo forte retorno do investidor estrangeiro e pela melhora na percepção macroeconômica do país. Mesmo com o rali, analistas apontam que o mercado continua atrativo em termos de valuation, com múltiplos ainda abaixo da média histórica e muito inferiores aos de outros emergentes.
Fluxo estrangeiro: o motor da alta
Após um 2024 de fuga de capitais, o fluxo líquido estrangeiro inverteu a direção.
De janeiro a novembro de 2025, entraram R$ 28 bilhões líquidos na B3, incluindo IPOs e ofertas subsequentes, o que compensou as saídas superiores a R$ 24 bilhões no ano anterior.
Essa volta do investidor internacional aumentou a liquidez nos pregões, ampliou a base institucional de investidores e foi determinante para levar o Ibovespa a patamares recordes, reativando o interesse global pelo mercado brasileiro.
7 em cada 10 ações superaram o CDI
Mesmo com a Selic elevada — uma das maiores em quase duas décadas —, 72% dos papéis do Ibovespa tiveram desempenho superior ao CDI em 2025, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria.
Entre os maiores destaques do ano:
| Ação | Alta em 2025 |
|---|---|
| Cogna (COGN3) | +259% |
| Cury (CURY3) | +128% |
| Cyrela (CYRE3) | +120% |
| Direcional (DIRR3) | +117% |
| BTG Pactual (BPAC11) | +111% |
| Axia Energia (AXIA3) | +109% |
| Eneva (ENEV3) | +98% |
| Vivara (VIVA3) | +91% |
| Rede D’Or (RDOR3) | +88% |
| Bradesco (BBDC4) | +79% |
Esse desempenho superior à renda fixa mostra que, mesmo com juros altos, empresas listadas conseguiram entregar valor real ao acionista, sobretudo nos setores financeiro, imobiliário e de energia.
Múltiplos ainda abaixo da média histórica
Em meio a essa escalada, analistas destacam que o Ibovespa segue barato quando se observa o múltiplo Preço/Lucro (P/L), que mede o quanto os investidores pagam pelos lucros futuros das empresas.
Atualmente, o índice negocia a 9 vezes o lucro projetado para 12 meses, abaixo da média de 11-12x dos últimos 10 anos.
Apenas para retornar à média histórica, a Bolsa poderia subir cerca de 25% sem parecer supervalorizada.
Mesmo excluindo exportadoras de commodities — que distorcem a média —, o P/L do Ibovespa ainda está abaixo dos pares emergentes, reforçando a tese de valuation atrativo.
Política e macro ajudam a consolidar a confiança
O avanço do índice também foi sustentado por uma percepção de estabilidade política e econômica no Brasil e pela expectativa de que o ciclo de aperto monetário terminou.
O mercado acredita que os cortes na Selic começarão em 2026, o que tende a favorecer ações em detrimento da renda fixa. A previsibilidade fiscal, a ausência de choques políticos e o alinhamento entre governo e agentes econômicos reduziram a volatilidade — um contraste com os anos anteriores.
Esse ambiente mais calmo, somado a bons resultados corporativos e à volta do capital estrangeiro, alimenta a visão de que a Bolsa brasileira segue com preço justo e potencial de valorização para 2026.
Conclusão: Bolsa forte, ainda com desconto
Mesmo com recordes históricos, o mercado acionário brasileiro ainda negocia com desconto estrutural em relação ao seu histórico e a outros emergentes.
Para gestores de fundos e analistas, 2026 começa com o melhor ponto de entrada desde 2020:
- Múltiplos baixos,
- Fluxo externo consistente,
- Estabilidade macro e política.
Tudo indica que o Ibovespa pode avançar mais 20 a 25%, caso os fundamentos continuem favoráveis.





