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ToggleO volume de concessões de crédito recuou 6,6% em novembro, enquanto o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu 0,9%, alcançando R$ 7 trilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (26/12) pelo Banco Central.
Estoque de crédito: desaceleração em 12 meses
- Empresas (pessoas jurídicas): crescimento de 0,3% no mês e 7% em 12 meses, totalizando R$ 2,6 trilhões.
- Famílias (pessoas físicas): avanço de 1,2% no mês e 11,1% em 12 meses, com saldo de R$ 4,4 trilhões.
Em termos anuais, a expansão desacelera: de 10,2% para 9,5% no total do SFN. Tanto o crédito empresarial quanto o familiar perderam tração, sinalizando menor apetite por endividamento no fim de 2025.
Crédito com recursos livres e direcionados
| Modalidade | Valor total | Variação mensal | Variação 12 meses |
|---|---|---|---|
| Crédito livre | R$ 4 trilhões | +0,7% | +7,8% |
| Pessoas jurídicas | R$ 1,6 tri | -0,1% | +1,4% |
| Pessoas físicas | R$ 2,4 tri | +1,3% | +12,4% |
| Crédito direcionado | R$ 3 trilhões | +1,0% | +11,9% |
| Empresas | R$ 1 tri | +1,1% | +16,9% |
| Famílias | R$ 1,9 tri | +1,0% | +9,4% |
Entre as operações livres com empresas, houve alta em antecipação de faturas de cartão (+7,2%), mas queda em descontos de duplicatas e outros recebíveis (-4,1%) e em capital de giro (-0,9%).
Juros e spread bancário sobem
Os custos do crédito continuaram em alta:
- Taxa média das novas operações: 31,9% ao ano (+0,1 p.p. em novembro e +3,5 p.p. em 12 meses).
- Empresas: 20,6% a.a. (-1 p.p. no mês).
- Famílias: 37,0% a.a. (+0,6 p.p. no mês).
- Crédito livre: 46,7% a.a., com altas de 0,6 p.p. no mês e 5,8 p.p. no ano.
O spread bancário (diferença entre o custo de captação e a taxa final) chegou a 20,9 pontos percentuais, seu maior nível desde o fim de 2023.
Destaques:
- Pessoa física: média de 59,4% a.a., impulsionada pelo crédito não consignado (+5,5 p.p.), cartão rotativo (+0,7 p.p.) e cartão parcelado (+3,2 p.p.).
- Empresas: média de 24,5% a.a., com pequenas quedas mensais devido à redução nos juros de duplicatas (-0,7 p.p.) e capital de giro de longo prazo (-0,7 p.p.).
Concessões de crédito desaceleram
As concessões nominais de crédito somaram R$ 637,5 bilhões em novembro, com queda mensal de 6,6%.
Mesmo ajustadas pelo calendário, registraram -1,4%, devido a:
- -2,2% nas empresas;
- -0,6% nas famílias.
O volume acumulado em 12 meses cresceu 8,9%, com destaque para as concessões empresariais (+9,8%) e familiar (+8,3%).
Apesar disso, o ritmo menor reflete liquidez apertada, juros elevados e cautela geral de consumo.
Contexto macroeconômico
Economistas avaliam que a queda no crédito de novembro reflete três fatores principais:
- Efeito sazonal pós-Black Friday e antes do Natal, com empresas retraindo novas concessões.
- Selic em patamar ainda alto reduz demanda e oferta de financiamento.
- Risco político doméstico crescente, em meio à confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026, que pressiona juros futuros.
Para 2026, a expectativa é de recuperação gradual, caso o Banco Central inicie cortes moderados na Selic, previstos para o segundo semestre.





