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ToggleO ouro ganhou protagonismo na China em 2025 como reserva de segurança, mas ainda não substitui o papel central do setor imobiliário no imaginário das famílias nem o foco estratégico do governo em tecnologia e inteligência artificial.
Ouro como refúgio e mudança geopolítica
- Famílias, instituições e o Banco do Povo da China (PBoC) aumentaram de forma consistente a demanda por ouro, refletida em fortes entradas em ETFs listados na Bolsa de Xangai.
- O Conselho Global de Ouro aponta que o PBoC elevou suas reservas por 13 meses seguidos até novembro, alcançando cerca de 8,3% das reservas internacionais, enquanto outros bancos centrais, como Japão e Suíça, também reforçam posições em ouro diante de um ambiente geopolítico mais instável desde meados da década passada.
- Para Torsten Slok (Apollo), o impulso chinês no ouro em 2025 vem não só do BC, mas também de arbitragem e compras de famílias, motivadas por preocupação com queda de preços de imóveis, risco de deflação e desvalorização do yuan.
Imobiliário ainda é “sonho de patrimônio”
- Kelvin Lam (Pantheon) argumenta que, apesar do tombo do setor imobiliário desde 2021, o mercado ainda está em situação melhor que no início da década, e os jovens continuam poupando para comprar moradia como forma de construir patrimônio.
- Ele estima que, depois de frustrações em 2025, o setor pode levar de 18 a 24 meses para retomar força, o que mantém o imóvel como objetivo de poupança de médio prazo.
- A busca por ativos seguros, como o ouro, também reflete queda de confiança do consumidor e incertezas globais, mas não elimina a cultura de poupar para a casa própria.
Dinâmica dos fluxos em ouro
- Segundo o WGC, além da alta nas reservas oficiais, os ETFs de ouro na China receberam entradas equivalentes a bilhões de dólares, mesmo com o metal em máximas históricas.
- O varejo (joias e consumo físico) recuou cerca de um terço mês a mês, pressionado pelos preços altos, o que indica uma migração do pequeno investidor para instrumentos financeiros e não apenas para ouro físico.
- No 3º trimestre de 2025, o BC chinês ficou entre os maiores compradores de ouro no mundo, atrás de países como Casaquistão, Turquia, Brasil e Guatemala.
Projeções de preço: otimismo x cautela
- O JPMorgan projeta que a demanda chinesa seguirá como um dos principais suportes do ouro em 2026, com possibilidade de o metal atingir a faixa de US$ 5 mil por onça-troy até o fim do ano.
- Já a Capital Economics vê um rali mais temporário, com ouro e prata ainda em alta no curto prazo, mas prevê esgotamento do fôlego e correção para algo em torno de US$ 3,5 mil por onça-troy.
Tecnologias, IA e consumo doméstico
- Lam destaca que Pequim usa esse período para tentar reposicionar o motor de crescimento: menos dependência de construção e mais foco em tecnologia e inteligência artificial, ao mesmo tempo em que tenta restaurar a confiança do consumidor.
- Chineses tradicionalmente poupam muito, entre outros motivos porque o sistema de saúde não é universal e robusto, o que leva famílias a manter reservas para eventuais despesas médicas e riscos no mercado de trabalho.
- Lynn Song (ING) ressalta que a capacidade da China de sustentar estímulos, lidar com o fim da trégua tarifária no fim de 2026 e manter crescimento em torno de 4,5–5% será decisiva para a ambição de liderar uma “corrida dourada” em tecnologia, com o ouro atuando mais como proteção do que como substituto dessa estratégia.





