índice
ToggleOs preços dos alimentos trouxeram alívio inesperado à inflação em 2025, com quedas expressivas mesmo em meses de alta demanda. Para 2026, porém, especialistas preveem fim dessa trégua, apesar de safra ainda forte, devido ao câmbio pressionado em ano eleitoral.
O que segurou os alimentos em 2025
A combinação de safra agrícola recorde no Brasil e boas colheitas globais, somada à queda de 10% do dólar, derrubou preços importantes da cesta:
| Item | Queda no IPCA-15 2025 |
|---|---|
| Arroz | -26,04% |
| Feijão preto | -31,82% |
| Batata-inglesa | -27,70% |
| Laranja-lima | -35,33% |
| Limão | -29,64% |
| Leite longa-vida | -10,42% |
| Azeite de oliva | -20,90% |
| Alho | -12,24% |
Alimentação no domicílio subiu apenas 1,94% no ano, surpreendendo projeções do Ipea (de 4,4% para 2,1%).
Por que 2026 será diferente
André Braz (FGV Ibre) explica que supersafra nem sempre se traduz em oferta interna maior:
“Com câmbio desvalorizado em ano eleitoral, exportações crescem, reduzindo sobra para o mercado doméstico.”
Fatores pressionadores:
- Dólar neutro ou em alta: encarece insumos importados (fertilizantes, máquinas).
- Política fiscal: gasto público elevado mantém prêmio de risco.
- Claudia Moreno (C6 Bank): prevê alta de 7% na alimentação em casa.
Projeções para 2026
| Instituição | Alta alimentos domicílio |
|---|---|
| Ipea | +4,2% |
| C6 Bank | ~7% |
| Dólar esperado | R$ 5,40 (fim/25) → R$ 5,35 (fim/26) |
Maria Andreia Lameiras (Ipea) destaca pressão nas carnes por abate elevado de fêmeas, migrando demanda para frango/ovos e elevando preços gerais de proteínas.
Lições de 2025: safra + câmbio
- Safra farta: barateou produção interna.
- Dólar fraco: reduziu insumos e desestimulou exportações, inundando mercado doméstico.
Para 2026, câmbio “não ajuda como antes”, segundo Lameiras. Sem valorização forte do real, o alívio inflacionário de alimentos deve encerrar, mesmo com produção agrícola robusta.
Em resumo: fim da “trégua excepcional” de 2025, com inflação de comida voltando a acelerar moderadamente.





