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ToggleVocê já teve a sensação de que a conta nunca fecha no final do mês? Agora, imagine esse problema multiplicado por bilhões e afetando a maior empresa de logística do Brasil. Os Correios, gigantes que conectam do Oiapoque ao Chuí, admitiram publicamente: o dinheiro em caixa não é suficiente.
Mesmo após garantir um empréstimo bilionário na semana passada, a estatal confirmou nesta segunda-feira (29) que ainda precisa de mais R$ 8 bilhões para equilibrar as contas. O plano para sair do buraco envolve demissões voluntárias, fechamento de agências e uma mudança drástica no plano de saúde. Mas o que isso significa para a sua encomenda?
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A matemática da crise: Por que falta tanto dinheiro?
Para entender a gravidade, precisamos olhar os números. O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, foi transparente: o plano de salvamento da empresa custa, ao todo, R$ 20 bilhões.
Na última sexta-feira, a empresa conseguiu R$ 12 bilhões emprestados com cinco grandes bancos (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa). Parece muito, mas é apenas o começo. Faltam R$ 8 bilhões para fechar a conta.
“Sem intervenção, o resultado seria de R$ 23 bilhões de prejuízo em 2026. A correção de rota precisa ser feita de forma rápida.” — Emmanoel Rondon, Presidente dos Correios
A empresa opera com prejuízos recorrentes desde 2022. Só até setembro deste ano, o rombo já passava de R$ 6 bilhões. O motivo? Uma estrutura fixa caríssima (folha de pagamento e agências) tentando sobreviver em um mundo onde ninguém mais manda cartas, e a concorrência no e-commerce é brutal.
O Plano de Corte: Menos gente, menos agências
Para estancar a sangria, os Correios vão passar por uma “lipoaspiração” corporativa. O plano de reestruturação é agressivo e toca em pontos sensíveis:
1. Adeus a 15 mil funcionários (PDV)
A partir de janeiro de 2026, será aberto um Plano de Demissão Voluntária (PDV). A meta é que até 15 mil empregados deixem a empresa entre 2026 e 2027. O objetivo é reduzir a folha de pagamento em 18%. Hoje, 62% de tudo o que os Correios gastam vai apenas para pagar salários. A economia prevista é de R$ 1,4 bilhão por ano.
2. Fechamento de 1.000 agências
Aquele posto dos Correios na esquina da sua casa pode estar com os dias contados. A estatal planeja fechar cerca de mil agências que hoje dão prejuízo. A ideia é vender imóveis sem uso para levantar R$ 1,5 bilhão extra.
3. Tesourada no Plano de Saúde
O “Postal Saúde”, benefício histórico dos funcionários, também está na mira. Com uma dívida que dobrou em poucos meses (atingindo R$ 740 milhões), o modelo será revisto para economizar até R$ 700 milhões anuais.
O futuro das suas encomendas
A grande pergunta que fica é: o serviço vai piorar? A gestão promete que não. O empréstimo de agora serve para “limpar o nome” da empresa, pagar dívidas urgentes e recuperar a confiança do mercado.
O grande desafio dos Correios é a chamada universalização. Diferente das transportadoras privadas, que só vão onde dá lucro, os Correios são obrigados por lei a entregar cartas em locais remotos da Amazônia ou do sertão, o que gera um custo fixo de R$ 4 bilhões por ano.
A aposta é que, com a casa arrumada, a empresa consiga focar no que realmente dá dinheiro hoje: encomendas de e-commerce, competindo de igual para igual com as transportadoras privadas a partir de 2027.
Escrito por Douglas, analista de infraestrutura e economia estatal.
De onde virão os R$ 8 bilhões adicionais para os Correios?
O presidente Emmanoel Rondon avalia novo empréstimo no mercado ou aporte direto do Tesouro Nacional; o secretário Rogério Ceron confirma acompanhamento próximo e possível apoio até 2027 para equilibrar o caixa até março de 2026.
Quais medidas fazem parte do plano de reestruturação dos Correios?
Inclui PDV para desligar voluntariamente (R$ 1,1 bi de custo, economia de R$ 1,4 bi/ano), corte de R$ 5 bi em despesas até 2028, venda de R$ 1,5 bi em imóveis ociosos e revisão total do plano de saúde Postal Saúde (débt de R$ 740 mi).
Os Correios vão demitir funcionários e fechar agências com esse plano?
Sim, o PDV visa economia com pessoal, e há previsão de fechamento de cerca de 1.000 agências ociosas; o foco é eficiência, sem data exata para demissões em massa, mas com impacto estimado em 15 mil vagas via voluntários.





