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ToggleSe existe um setor que representa a “velha economia”, é a siderurgia. Aço, fogo e chaminés. Mas até os gigantes de ferro precisam se digitalizar para sobreviver. Nesta segunda-feira (29), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) recebeu um sinal verde que vai muito além de um simples empréstimo: um aporte de R$ 1,13 bilhão do BNDES.
Para a usina de Volta Redonda (RJ), que vinha sofrendo com equipamentos obsoletos e pressão ambiental, esse dinheiro é o combustível para uma transformação tecnológica urgente. Mas para o mercado, a leitura é outra: é um balão de oxigênio para uma empresa que luta contra uma dívida bilionária. Vamos entender os dois lados dessa moeda.
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Aço 4.0: Modernizar ou parar
A Usina Presidente Vargas não é apenas uma fábrica; é um símbolo industrial do Brasil. Porém, símbolos envelhecem. Desde o início de 2023, a CSN enfrentava problemas nas linhas de produção, precisando até importar aço semiacabado para não deixar clientes na mão.
O financiamento do BNDES vem para corrigir isso com tecnologia de ponta. Do total, R$ 500 milhões vêm carimbados pelo programa BNDES Mais Inovação. O objetivo? Comprar máquinas inteligentes e implementar a Internet das Coisas (IoT).
Não se trata apenas de trocar peças quebradas, mas de colocar sensores que “conversam” entre si, prevenindo falhas antes que elas parem a produção. É a siderurgia entrando, finalmente, no século 21.
“O projeto inclui o reaproveitamento de matéria-prima e fortalece a cadeia produtiva nacional… resultando na melhoria da qualidade do ar no entorno da fábrica.” — José Luis Gordon, Diretor do BNDES
O desafio ambiental (e o ar de Volta Redonda)
A injeção de capital também tem um alvo claro: a sustentabilidade. A CSN assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com órgãos ambientais para reduzir a emissão de poluentes.
Parte dos recursos (R$ 625,8 milhões) vai modernizar as plantas de sinterização. Em português claro: o processo de preparar o minério de ferro será mais limpo, atendendo à demanda global por descarbonização e aliviando a poluição para os moradores da região.
O “Alívio” Financeiro: A luta contra a dívida
Enquanto os engenheiros comemoram as novas máquinas, o departamento financeiro da CSN respira aliviado por outro motivo. A empresa fechou o terceiro trimestre com uma dívida líquida assustadora de R$ 37,5 bilhões.
A “mágica” desse empréstimo do BNDES é que mais de R$ 600 milhões servirão para reembolsar a CSN por investimentos que ela já fez desde 2023. Ou seja, é dinheiro fresco entrando no caixa imediatamente.
Isso é crucial porque a agência de risco S&P rebaixou a nota da empresa recentemente, alertando que a CSN está “alavancada” demais (devendo muito em relação ao que lucra). Para tentar resolver isso, a empresa já vendeu parte de suas ações na ferrovia MRS Logística, levantando R$ 3,35 bilhões na semana passada.
Se você gere um negócio, por menor que seja, a lição da CSN é valiosa: fluxo de caixa é rei. Mesmo gigantes industriais precisam vender ativos e buscar crédito subsidiado quando a dívida sai do controle. A expectativa agora é que 2026 seja o ano da virada, com a meta de reduzir a alavancagem para níveis saudáveis.
Escrito por Douglas, analista de indústria e estratégias corporativas.
Para que os R$ 1,13 bi do BNDES serão usados na CSN?
O financiamento financia modernização de equipamentos em sinterizações, coquerias e alto-fornos, reduzindo emissões e custos; parte dos R$ 2 bi totais já investidos visa descarbonização e capacidade de 5,8 milhões de toneladas/ano de aço.
Quantos empregos a modernização da CSN em Volta Redonda vai gerar?
A CSN prevê criação de até 5 mil novos postos de trabalho diretos até 2026 com reformas na linha de produção, instalação de plantas separadoras e britadores, além de reaproveitamento de agregados siderúrgicos.
Quando começa a operação dos novos equipamentos na siderúrgica da CSN?
Até julho de 2026, novas plantas modulares e equipamentos menos poluentes entram em funcionamento, com testes já em andamento; o revamp do Alto-Forno 2 (R$ 1,6 bi totais) conclui em 2025





