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ToggleQuem olhou a cotação do dólar no final do ano passado, beirando os R$ 5,60, sentiu aquele frio na espinha. Mas o mercado financeiro é uma montanha-russa fascinante. Em apenas quatro dias de 2026, a moeda americana engatou uma marcha ré surpreendente, furando o “piso” psicológico de R$ 5,40 nesta terça-feira (6).
Parece contraditório: o mundo está tenso com a crise na Venezuela, mas o Real está se valorizando. Por que isso está acontecendo? A resposta é uma mistura de juros altos aqui, fraqueza econômica nos EUA e um fluxo de dinheiro que decidiu “tomar risco”. Se você tem viagem marcada ou investimentos dolarizados, é hora de entender essa janela de oportunidade.
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O Alívio Pós-Ressaca
O mercado começou o ano fazendo uma “limpeza”. Em dezembro, o medo de ruídos políticos e a saída natural de dólares pressionaram a cotação. Agora, estamos vendo um ajuste técnico. Com a Selic estacionada em 15%, o Brasil continua pagando um dos maiores juros reais do mundo, o que atrai investidores estrangeiros ávidos por rentabilidade (o famoso Carry Trade).
Além disso, a nossa balança comercial ajudou. O Brasil fechou 2025 com um superávit de US$ 68,3 bilhões. É muito dólar entrando no país via exportações, o que aumenta a oferta da moeda e derruba o preço.
“É possível que o dólar busque R$ 5,30 ou R$ 5,20 até março… Há um ambiente de apetite ao risco no exterior que favorece ativos domésticos.” — Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos.
O Mundo Está “Risk On”
Mesmo com a tensão geopolítica envolvendo Maduro e Trump, o investidor global acordou com apetite ao risco (Risk On). Moedas de países emergentes, como o peso chileno e o colombiano, também ganharam força.
O motivo? Dados fracos da economia americana (o PMI de serviços caiu para 52,5) sugerem que o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) precisará cortar os juros mais rápido para evitar uma recessão. Juros menores lá fora significam dólar mais fraco no mundo todo.
A Janela de Oportunidade (e o Risco Eleitoral)
Analistas apontam que podemos ter um “verão de alívio” cambial. A janela para o dólar testar R$ 5,30 ou até R$ 5,20 está aberta até março.
Porém, não se iluda achando que a queda será eterna. 2026 é ano de eleição presidencial no Brasil. A partir do segundo trimestre, as pesquisas eleitorais e os embates políticos (Lula vs. oposição) tendem a trazer volatilidade de volta. O banco C6, por exemplo, reduziu sua projeção, mas ainda vê o dólar a R$ 5,80 no fim do ano devido às preocupações fiscais.
A volatilidade do câmbio é um lembrete constante de que o mercado é imprevisível. Se você quer parar de depender da sorte ou das notícias do dia para sentir segurança financeira, a verdadeira mudança começa na sua mente. Convido você a conhecer o manual Mentalidade de Alto Calibre. É uma ferramenta essencial para quem deseja parar de apenas reagir às oscilações do dólar e começar a dominar as próprias escolhas com uma visão estratégica e de longo prazo.
O Que Vem Por Aí?

O mercado agora prende a respiração para a sexta-feira (9), quando sai o Payroll (relatório de emprego dos EUA). Se os números vierem fracos, a tese de queda do dólar ganha força. Se vierem fortes, o câmbio pode repicar.
Por enquanto, o cenário é de calmaria. Para quem precisa comprar moeda, a estratégia de ir comprando aos poucos (dollar cost averaging) nunca fez tanto sentido.
FAQ — Perguntas Frequentes
A crise na Venezuela não deveria aumentar o dólar?
Geralmente, tensões geopolíticas aumentam a procura por dólar (segurança). No entanto, o mercado está focado na possibilidade de queda de juros nos EUA e no retorno do petróleo venezuelano ao mercado, o que, paradoxalmente, tem favorecido ativos de risco como o Real.
Por que o dólar caiu abaixo de R$ 5,40 em janeiro de 2026?
A prisão de Maduro está derrubando o dólar contra o real?
Sim. A prisão de Maduro pelos EUA gerou queda no preço do petróleo, aliviando a inflação americana e abrindo caminho para mais cortes de juros do Fed, o que enfraquece o dólar globalmente e valoriza o real.
Qual o impacto da queda do dólar abaixo de R$ 5,40 na inflação brasileira?
Positivo. Dólar mais baixo reduz custos de importados como combustíveis e insumos, ajudando a conter a inflação e apoiando a manutenção da Selic alta para atrair investimentos.





