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ToggleDepois de décadas de negociações, idas e vindas, o martelo finalmente foi batido. Neste sábado (17), em Assunção (Paraguai), foi assinado o tão aguardado acordo entre Mercosul e União Europeia. O tratado cria um dos maiores blocos econômicos do planeta e promete mexer diretamente com o bolso do brasileiro.
Segundo estimativas divulgadas pelo governo brasileiro logo após a cerimônia, o impacto será bilionário. A projeção é de um crescimento adicional de 0,34% no PIB, o que representa uma injeção de R$ 37 bilhões na economia nacional. Mas o que isso significa na prática para o consumidor e para as empresas?
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Preços Menores e Salários Maiores?
O documento oficial (factsheet) liberado pelo Executivo traz dados animadores para o dia a dia. Com a redução de tarifas de importação e o aumento da concorrência, a estimativa é de uma redução de 0,56% no nível de preços ao consumidor. Ou seja, produtos europeus e insumos industriais devem ficar mais baratos.
Além disso, o aumento da atividade econômica deve puxar os salários reais para cima em 0,42%. Parece pouco em porcentagem, mas em uma economia do tamanho da brasileira, isso movimenta bilhões no varejo e serviços. O investimento estrangeiro também deve saltar R$ 13,6 bilhões (0,76%).
“O acesso a mercados facilitados pelos acordos… gerará um aumento de R$ 67,6 bilhões no PIB e de R$ 25,3 bilhões nos investimentos.” — Estimativa do MDIC (considerando também Singapura e EFTA).
A Balança Comercial: Exportar Mais do que Importar
O medo de muitos setores era que o Brasil fosse inundado por produtos europeus sem conseguir vender de volta. Porém, as simulações do governo indicam um saldo positivo.
- Exportações: Devem crescer R$ 52,1 bilhões (2,65%).
- Importações: Devem crescer R$ 42,1 bilhões (2,46%).
O agronegócio e setores competitivos da indústria brasileira ganham uma avenida aberta para vender para mais de 450 milhões de consumidores europeus com tarifas reduzidas ou zeradas.
O Desafio da Competitividade

Um mercado aberto traz oportunidades gigantes, mas também exige eficiência brutal. As empresas brasileiras que não se modernizarem vão sofrer com a concorrência europeia. O acordo é uma maratona, com impactos projetados até 2044.
Para navegar nesse novo cenário econômico globalizado, onde as barreiras caem e a exigência sobe, você precisa estar preparado não apenas tecnicamente, mas mentalmente. Se você quer desenvolver a visão estratégica necessária para lucrar em mercados abertos e competitivos, convido você a conhecer o manual Mentalidade de Alto Calibre. É a ferramenta essencial para quem deseja parar de temer a concorrência e começar a liderar o jogo.
Minha opinião!
Comemorar um impacto de 0,34% no PIB acumulado em 15 anos é o atestado de óbito da ambição nacional; para mim, isso não é um acordo comercial, é um armistício assimétrico. Em termos de Realpolitik, R$ 37 bilhões são irrelevantes perto do preço que pagaremos: a consolidação do Brasil como a eterna “fazenda” do Atlântico Sul. Estamos trocando o acesso ao nosso mercado industrial — onde a Europa precisa desesperadamente desovar seus manufaturados diante da desaceleração chinesa — por cotas marginais de carne e soja que virão acopladas a “sanções verdes” que Bruxelas usará como gatilho protecionista sempre que seus agricultores franceses queimarem pneus nas estradas. O acordo não é sobre PIB, é uma manobra defensiva da Europa para criar uma reserva de mercado na América Latina e conter a Rota da Seda chinesa, e nós estamos vendendo essa posição geopolítica valiosa por trocados estatísticos.
Resumo da Ópera
A assinatura em Assunção marca o fim de uma novela de 25 anos e o início de uma nova era comercial. O Brasil se conecta definitivamente às cadeias globais de valor mais sofisticadas. Agora, resta ao Congresso ratificar e ao empresariado se preparar para a briga de gente grande.
FAQ — Perguntas Frequentes
Qual o impacto do acordo Mercosul-UE no PIB?
O governo estima um crescimento adicional de R$ 37 bilhões (0,34%) no PIB brasileiro, considerando o longo prazo.
Os preços vão cair no Brasil?
A projeção oficial é de uma redução de 0,56% no nível geral de preços ao consumidor, devido à entrada de produtos mais baratos e insumos sem imposto.
Quando o acordo começa a valer?
O Brasil vai exportar mais?
Sim. A estimativa é de um aumento de R$ 52,1 bilhões nas exportações brasileiras, superando o aumento das importações.




