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ToggleNo último dia do ano, enquanto muitos estão preocupados com a ceia, um gigante do varejo brasileiro está preocupado com a sobrevivência — e acaba de dar um passo decisivo. A Casas Bahia aprovou nesta terça-feira um aumento de capital de R$ 1,032 bilhão.
Mas calma, não significa que um caminhão de dinheiro novo entrou na empresa. Na verdade, o que aconteceu foi uma troca inteligente de “dívida” por “sociedade”. Essa reestruturação é o capítulo final de uma saga para evitar que os juros altos (lembra da Selic a 15%?) devorassem a companhia. Vamos entender o que isso significa para o mercado e, claro, para quem investe.
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Trocar dívida por ações: O que é isso?
Imagine que você deve R$ 10 mil para um amigo e não tem como pagar, porque os juros estão comendo todo o seu salário. Você chega para ele e diz: “Em vez de te pagar em dinheiro, eu te dou 10% da minha empresa”. A dívida some, e o amigo vira seu sócio.
Foi basicamente isso que a Casas Bahia fez. A operação converteu debêntures (títulos de dívida) em ações.
- Antes: A empresa tinha uma dívida pesada que gerava juros mensais.
- Agora: Essa dívida foi extinta e os credores receberam 278 milhões de novas ações da empresa.
O resultado prático? A dívida total da varejista cai em R$ 3 bilhões. Além disso, a empresa vai deixar de gastar R$ 4,7 bilhões em juros e despesas financeiras entre 2026 e 2030. É um fôlego gigantesco.
“Em tempos de juros altos, caixa é rei. A Casas Bahia escolheu diluir seus acionistas para salvar o caixa. Foi uma decisão de sobrevivência.” — Análise de Mercado
O efeito colateral: A diluição
Para o acionista atual (quem já tinha ações BHIA3), a notícia tem um gosto agridoce. A empresa ficou mais saudável (menos risco de quebrar), mas a “pizza” foi dividida em mais pedaços.
O capital social saltou de cerca de 653 milhões de ações para 932 milhões. Isso significa que a participação de quem já era dono diminuiu proporcionalmente. É o preço a se pagar para manter o negócio vivo.
O varejo respira em 2026?

Essa manobra da Casas Bahia não é isolada. Com a Selic estacionada em 15% e a inflação pressionando, o varejo de eletrodomésticos e móveis foi o setor que mais sofreu em 2025. Vender a prazo ficou caro e o consumidor pisou no freio.
Ao limpar o balanço agora, a empresa entra em 2026 mais leve, pronta para focar no operacional (vender TV e geladeira) em vez de focar apenas em pagar boletos bancários.
Se você olha para grandes empresas se reestruturando e pensa “como eu organizo a minha própria bagunça?”, saiba que a lógica é a mesma. Cortar custos, renegociar dívidas e focar no que traz receita. Nosso guia sobre liberdade financeira explora como aplicar essa mentalidade no CPF.
FAQ — Perguntas Frequentes
O que acontece com as ações da Casas Bahia agora?
No curto prazo, pode haver volatilidade devido à “diluição” (entrada de muitas ações novas no mercado). No entanto, a médio prazo, a redução da dívida torna a empresa financeiramente mais sólida e menos arriscada, o que pode atrair investidores que apostam na recuperação
O que são debêntures?
São títulos de dívida emitidos por empresas. Quando você compra uma debênture, você está emprestando dinheiro para a empresa em troca de juros. No caso da Casas Bahia, esses credores aceitaram trocar o direito de receber o dinheiro pelo direito de ter ações da empresa.
O que foi a manobra de R$ 1 bilhão das Casas Bahia?
Envolveu reperfilamento da 10ª emissão de debêntures e lançamento da 11ª, com 90% dos credores trocando dívidas por novos títulos.
Reduz endividamento líquido em R$ 2,3 bilhões (3T base) e altera controle acionário para credores (55,7%).
Projetada para cortar spreads de juros e despesas financeiras em R$ 1,5 bi entre 2026-2030.





