índice
ToggleCom a virada do ano se aproximando, chegou a hora de fazer o balanço financeiro de 2025 e preparar o terreno para um 2026 com mais clareza e menos dívidas. Assim como um check-up médico, revisar as finanças permite descobrir onde você está acertando, onde está exagerando e o que precisa ajustar.
A professora Paula Sauer, da FIA Business School, explica que esse processo é essencial para quem deseja retomar o controle do orçamento. “É quando conseguimos enxergar onde estamos gastando demais, o que é supérfluo e se as despesas fixas cresceram. Também dá para avaliar se as dívidas aumentaram ou diminuíram e se ainda cabem no salário”, afirma.
Etapa 1: faça uma fotografia financeira de 2025
Antes de planejar o próximo ano, entenda o que aconteceu neste. Revise extratos bancários, faturas, boletos, compras parceladas e dívidas. Pergunte-se:
- Meus gastos mensais cabem no meu orçamento?
- Consegui poupar ou investi ao menos uma parte da renda?
- Mantive ou usei minha reserva de emergência?
- Melhorei ou piorei o controle em relação a 2024?
Segundo Sauer, esse diagnóstico é a base para um planejamento efetivo:
“É o momento de olhar o hoje para entender se foi possível poupar, quitar dívidas e atingir metas. Só assim você entra em 2026 com controle e leveza.”
Etapa 2: se há dívidas, comece pelas mais caras
A regra é clara: priorize as dívidas com juros mais altos ou aquelas que envolvem um bem como garantia (como carro ou imóvel). A ordem sugerida por Sauer é a seguinte:
- Cartão de crédito e rotativo.
- Parcelamentos no cartão e cheque especial.
- Empréstimos pessoais não consignados.
- Por último, empréstimos consignados (juros menores).
Se houver bônus, décimo terceiro ou qualquer renda extra, aproveite para amortizar os débitos mais caros. Isso alivia o orçamento e reduz a pressão sobre os juros compostos no início do próximo ano.
Caso o total seja inviável, avalia renegociar as condições com os credores, preferindo prazos mais longos e juros menores — especialmente se as taxas estiverem acima de 10% ao mês.
Etapa 3: olhe para os seus investimentos
Depois de organizar as contas e liquidar dívidas, é hora de olhar para os investimentos. Segundo a especialista, a pergunta-chave é:
“Esse investimento faz sentido para mim ou estou copiando alguém?”
Analise se o seu portfólio está alinhado com seus objetivos, prazos e tolerância ao risco. Cada decisão deve responder:
- Esse investimento me aproxima ou me afasta do meu objetivo?
- O prazo está adequado ao momento em que posso precisar do dinheiro?
- Eu suporto as oscilações ou elas me causam ansiedade e reações impulsivas?
Sauer lembra que investimento é construção de longo prazo: sair reagindo às variações de mercado pode diminuir a rentabilidade líquida com taxas, corretagens e impostos desnecessários.
Etapa 4: reavalie o equilíbrio da carteira
Com o tempo, os ganhos (ou perdas) alteram a proporção da carteira — por isso, o rebalanceamento periódico é essencial.
Exemplo: uma carteira montada originalmente com
- 70% em renda fixa,
- 20% em ações,
- 10% no exterior,
pode, em dois anos, virar 85/10/5 se a renda fixa crescer mais. Isso muda o perfil geral do portfólio, podendo deixá-lo mais conservador do que o planejado — e distante das metas iniciais.
Rebalancear significa corrigir essas distorções, realocando parte dos ganhos de volta às classes de ativos originais. O ideal é rever a carteira a cada seis ou doze meses, sem trocas impulsivas.
Etapa 5: transforme o aprendizado em metas de 2026
Depois de revisar o passado, defina metas financeiras realistas:
- Quitar dívidas caras até junho.
- Montar ou reforçar a reserva de emergência.
- Aumentar o valor dos aportes mensais.
- Ampliar os investimentos em ativos de longo prazo.
Para Paula Sauer, essa rotina de monitoramento é o que diferencia quem sobrevive das finanças de quem prospera financeiramente.
“O check-up anual é o momento de se reconectar com seus objetivos e entender se suas escolhas ajudam ou atrapalham você a chegar lá.”
Conclusão
Fazer um check-up financeiro de fim de ano é mais do que revisar números: é redefinir rumos. Identificar excessos, corrigir dívidas, ajustar investimentos e planejar 2026 de forma realista evita dores de cabeça e garante mais tranquilidade financeira.
Com autoconhecimento, disciplina e estratégia, 2026 pode ser o ano em que suas finanças finalmente ficam sob controle.





