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ToggleO dólar encerrou a sexta-feira (26/12/2025) em leve alta, cotado a R$ 5,5446 (+0,24%), revertendo as quedas da abertura em um pregão de liquidez reduzida pós-Natal e marcado por volatilidade. O movimento foi impulsionado pela forte queda do petróleo no exterior, que pressionou moedas de países exportadores de commodities, como o real.
BC tentou segurar o câmbio, mas alta prevaleceu
O Banco Central realizou dois leilões de linha cambial, totalizando US$ 2 bilhões, o que chegou a derrubar a cotação pela manhã. No entanto, a baixa liquidez e o aumento da aversão ao risco fizeram a moeda norte-americana recuperar força à tarde.
- Mínima: R$ 5,5208
- Máxima: R$ 5,5668
- Fechamento: R$ 5,5446
Na semana, o dólar acumula +0,27% e +3,93% no mês, mas ainda registra queda de 10,28% no acumulado de 2025.
“O número reduzido de negócios amplifica qualquer movimento do mercado”, avaliou Rodrigo Miotto, gerente de câmbio da Nippur Finance, destacando que o movimento sazonal de envio de lucros e dividendos ao exterior também pressiona o câmbio nesta época do ano.
Fluxo cambial negativo e saídas externas
O Banco Central informou que o fluxo cambial foi negativo em US$ 6,47 bilhões na semana passada (15 a 19 de dezembro). Somente o canal financeiro apresentou saídas líquidas de US$ 8,08 bilhões, resultado das remessas de dividendos e lucros ao exterior, intensificadas após as mudanças na tributação de dividendos.
Nesta semana, o BC realizou operações adicionais para conter a volatilidade:
- 19/12: US$ 2 bilhões (dois leilões com recompra);
- 23/12: US$ 500 milhões (de um total ofertado de US$ 2 bi);
- 26/12: mais US$ 2 bilhões (não atrelados à rolagem).
Mesmo com essas intervenções, o impacto sobre o câmbio foi limitado, já que o ambiente externo e o cenário político doméstico seguem pesando mais nas decisões dos investidores, segundo Miotto.
Petróleo cai mais de 2,5% e pressiona moedas emergentes
O tombo superior a 2,5% no preço do petróleo ajudou a enfraquecer moedas de exportadores de commodities, como Brasil e México. As cotações recuaram em meio a incertezas geopolíticas envolvendo a Venezuela e a guerra na Ucrânia.
Com isso, o real teve desempenho inferior ao de pares emergentes, segundo análise da Armor Capital, que também citou o fator político como componente de estresse.
Política adiciona volatilidade
O mercado ainda repercute a carta escrita por Jair Bolsonaro à mão, em que ele oficializa apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026.
“Nesse contexto, o real apresentou desempenho inferior ao de seus pares”, avaliou a Armor Capital.
A leitura predominante é de que o apoio presidencial reforça incertezas para 2026, reduzindo o apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros no curto prazo.
Perspectivas
Com o feriado prolongado e ausência de dados fortes no exterior, a expectativa é de que o câmbio continue volátil e dependente das intervenções do BC até o encerramento de 2025.
Analistas também destacam a influência do cenário político e fiscal sobre a curva de juros e o posicionamento estrangeiro no Brasil.





