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ToggleO mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vive um dos seus melhores anos. Segundo dados da Anbima, o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 22,5% nos doze meses até novembro de 2025, atingindo R$ 741,1 bilhões, com forte expansão da base de investidores e das captações.
O número de contas de investidores praticamente dobrou no período, passando de 147,3 mil para 333,7 mil, impulsionado pela ampliação de participação do varejo e pela nova regulamentação da Resolução CVM 175, que abriu espaço para investidores de diferentes perfis acessarem o produto.
FIDCs ganham força como fonte de crédito privado
Segundo Julya Wellisch, diretora da Anbima, os FIDCs consolidam seu papel no financiamento da economia real, com destaque crescente entre investidores que buscam alternativas de diversificação e renda estruturada.
“A tendência é de crescimento consistente dessa classe, impulsionada pela ampliação do uso de instrumentos de crédito estruturado, pela eficiência desses veículos na alocação de capital e pelo interesse crescente do varejo”, afirmou a executiva.
Esse avanço ocorre no contexto de maior profissionalização na originação de recebíveis, integração de fintechs de crédito e crescente digitalização de plataformas de distribuição de fundos — fatores que tornam os FIDCs cada vez mais acessíveis e líquidos.
Investidores e captação recorde
Os dados do ANBIMA Data mostram uma verdadeira democratização da base de cotistas:
- Investidores em geral: crescimento de 1.329,2%, de 2,4 mil para 34,3 mil contas.
- Investidores qualificados: alta de 145,1%, de 97,8 mil para 239,7 mil contas.
- Investidores profissionais: avanço de 55,2%, de 20,3 mil para 31,5 mil contas.
Além da ampliação da base, o volume de captações também impressiona:
de dezembro/2024 a novembro/2025, as emissões somaram R$ 90,1 bilhões — sendo os fundos de investimento os principais compradores.
Em novembro, 91 operações levantaram R$ 6,4 bilhões, dos quais 75% (R$ 4,8 bilhões) foram subscritos por outros fundos, reforçando o papel do setor institucional na sustentação do mercado.
O que impulsiona os FIDCs em 2025
O desempenho reflete um conjunto de fatores estruturais:
- Juros reais ainda elevados, estimulando busca por renda fixa privada.
- Expansão das fintechs originadoras de crédito e antecipação de recebíveis.
- Resolução CVM 175, que simplificou regras de registro e permitiu maior participação do varejo.
- Estabilidade macroeconômica, favorecendo demanda por crédito corporativo e consumo.
De acordo com levantamento da própria Anbima, os FIDCs respondem por cerca de 15% de todo o estoque de crédito privado brasileiro, número que deve crescer com a expansão do crédito alternativo e securitizações.
Perspectivas para 2026
O mercado projeta expansão superior a 20% no patrimônio líquido em 2026, com destaque para:
- FIDCs de crédito consignado e fintechs de PMEs;
- Títulos de lastro agrícola e imobiliário dentro de estruturas híbridas;
- Integração tecnológica entre plataformas de investimento e agentes fiduciários.
Com o novo arcabouço regulatório maduro e apetite renovado do investidor, os FIDCs se consolidam como o segmento mais dinâmico entre os fundos de crédito privado no Brasil.





