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ToggleO mercado de câmbio global teve uma sessão de baixa intensidade nesta quarta-feira, 24, marcada pelo feriado de Natal em várias praças e por ajustes pontuais de posições. Em meio a esse ambiente de liquidez reduzida, o dólar ficou praticamente estável, enquanto o iene se fortaleceu, limitando qualquer tentativa de alta mais ampla da moeda americana.
O índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (DXY) registrou variação marginal de alta, refletindo mais uma acomodação de preços do que um movimento direcional consistente. Ao mesmo tempo, o comportamento do iene e de outras divisas relevantes reforçou a percepção de que o mercado está cauteloso antes de novos dados econômicos e do início de 2026.
Iene ganha força com ameaça de intervenção do Japão
O destaque da sessão foi a recuperação do iene, apoiada por declarações mais firmes das autoridades japonesas contra oscilações consideradas excessivas no câmbio. A moeda americana recuou para a casa de 155 ienes por dólar, movimento interpretado como resposta direta ao tom mais duro do governo japonês.
A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, reforçou que Tóquio está pronta para agir se os movimentos no câmbio forem considerados desordenados. Para analistas, essa postura aumenta o risco de intervenção oficial neste fim de ano, especialmente em um período em que a liquidez é tipicamente menor e movimentos técnicos podem amplificar a volatilidade.
Visão dos analistas: fundamentos, fim de ano e risco de volatilidade
Casas de análise ressaltam que a performance recente do dólar ainda recebe algum suporte de dados mais fortes da economia norte‑americana, mas esse impulso é visto como limitado. A leitura é que esses números mostram “onde a economia esteve, não para onde está indo”, mantendo elevada a incerteza em relação ao cenário para 2026, especialmente no que diz respeito à trajetória de juros do Federal Reserve (Fed).
Em linha semelhante, estrategistas de bancos internacionais observam que movimentos cambiais desconectados dos fundamentos, somados às condições típicas de fim de ano, criam um ambiente propício para intervenções em moedas sensíveis, como o iene. Há também a avaliação de que a própria retórica das autoridades japonesas pode seguir influenciando o câmbio no curto prazo, ainda mais em um mercado com posições já bastante esticadas, mas com potencial de nova volatilidade à medida que forem divulgados dados de inflação de Tóquio.
Euro e libra: leve correção, mas sustentação no médio prazo
O euro operou em leve queda, mas permaneceu perto das máximas de três meses frente ao dólar, reflexo de uma moeda americana menos firme e de sinais positivos vindos da zona do euro. O humor dos investidores em relação à moeda comum é apoiado, entre outros fatores, pelo otimismo com possíveis estímulos fiscais na Alemanha, principal economia europeia.
Outro elemento de suporte ao euro é a expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) mantenha os juros estáveis por mais tempo, em contraste com o cenário para os Estados Unidos, onde o mercado projeta novos cortes de juros pelo Fed ao longo de 2026. A libra esterlina também recuou levemente frente ao dólar, mas sem mudanças estruturais de tendência, num contexto ainda dominado por fluxos de fim de ano e busca seletiva por risco.
Outras moedas e influência do ouro
Em relação a outras divisas, o dólar teve movimentos contidos frente moedas como o rand sul‑africano e o franco suíço, ambas beneficiadas indiretamente pelo desempenho recente do ouro, que renovou recordes nas últimas semanas. Em cenários de incerteza e juros em possível trajetória de queda nas principais economias, o metal é visto como proteção, o que tende a favorecer moedas associadas a esse tipo de ativo ou ao perfil de porto seguro.
Para o investidor, o quadro geral é de mercado lateralizado, com o dólar sem direção clara no curtíssimo prazo, o iene sob vigilância de possível intervenção japonesa e o euro sustentado por expectativas de política monetária e fiscal na Europa. A virada do ano e os próximos dados de inflação, tanto nos EUA quanto no Japão e na zona do euro, devem definir se essa estabilidade aparente dará lugar a movimentos mais fortes no câmbio global.





