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ToggleSe você estava ansioso monitorando o rastreio daquela encomenda que parou no meio do caminho, pode respirar aliviado. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu, nesta véspera de Ano-Novo, colocar um ponto final na paralisação dos funcionários dos Correios.
A decisão foi unânime: a greve não foi abusiva, mas os trabalhadores devem voltar aos postos imediatamente. Além do retorno às atividades, o tribunal definiu o reajuste salarial de 2025 e trouxe uma vitória histórica para mães de filhos com deficiência. Vamos entender o que ficou decidido e como isso impacta o serviço (e o caixa da empresa).
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O Veredito: 5,1% de aumento e dias descontados
O impasse entre sindicatos e a estatal chegou ao fim com uma decisão “meio-termo”. O TST determinou um reajuste salarial de 5,1%, retroativo a 1º de agosto de 2025. Esse aumento não vale apenas para o salário, mas também para o “pacote completo”: vale-alimentação, cesta básica e auxílio-creche.
Porém, nem tudo foi festa para os grevistas. O tribunal ordenou o desconto dos dias parados.
- A regra: O valor dos dias não trabalhados será descontado do salário dos funcionários, mas parcelado em três vezes para suavizar o impacto.
- A exceção: Se a gestão dos Correios preferir, poderá negociar a compensação desses dias (trabalho extra) em vez do desconto em dinheiro.
“A greve é um direito, mas o serviço postal é essencial. O equilíbrio encontrado pelo TST busca valorizar o trabalhador sem ignorar que a população precisa das suas encomendas.” — Análise Jurídica
Uma vitória silenciosa para as mães atípicas
No meio das discussões sobre porcentagens, uma cláusula humana e vital foi aprovada. O TST garantiu jornada especial reduzida para funcionárias que tenham filhos ou dependentes com deficiência.
A partir de agora, essas mulheres poderão trabalhar menos horas para cuidar de seus dependentes, sem redução de salário e sem precisar compensar essas horas depois. É o reconhecimento de que a carga de cuidado, muitas vezes invisível, precisa ser amparada pela lei.
Se você se interessa por direitos trabalhistas e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, vale a pena ler nosso artigo sobre resiliência emocional, pois conquistas como essa são fundamentais para a saúde mental do trabalhador.
O peso no bolso da Estatal
A decisão do TST acontece em um momento delicadíssimo. Como noticiamos ontem, os Correios enfrentam um déficit bilionário e acabaram de pegar R$ 12 bilhões emprestados para não fechar as portas.
Ministros do TST, como Maria Cristina Peduzzi, chegaram a votar contra o aumento, citando a “alarmante situação econômico-financeira” da empresa. No entanto, a maioria decidiu que a inflação precisava ser reposta.
Agora, a estatal terá que equilibrar esse novo custo na folha de pagamento (que já consome 62% das receitas) com o plano de demissão voluntária (PDV) de 15 mil funcionários previsto para começar em breve.
E a minha encomenda?
Com a decisão de ontem (30), a ordem é de retorno imediato. As agências e centros de distribuição em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo devem voltar ao ritmo normal a partir do dia 2 de janeiro.
A expectativa é que o acúmulo de entregas do Natal seja normalizado ao longo da primeira semana de 2026.
FAQ — Perguntas Frequentes
A greve dos Correios acabou?
Sim. O TST julgou o dissídio na terça-feira (30) e determinou o retorno imediato ao trabalho. A decisão tem força de lei e encerra a paralisação iniciada em dezembro.





